PCP defende gratuitidade dos transportes com resposta integrada à Área Metropolitana
A direção da Organização Regional do Porto do PCP (DORP) manifestou-se favorável à gratuitidade progressiva dos transportes públicos, mas alertou que a medida «não pode ser tratada de forma isolada» sem investimento na rede e reforço da oferta disponível na Área Metropolitana do Porto.
Em comunicado divulgado, dia 7 de maio, o PCP considera que a gratuitidade dos transportes é «um objetivo justo e necessário», integrado numa política de promoção da mobilidade e combate às desigualdades sociais e territoriais. Ainda assim, defende que «os principais problemas sentidos atualmente pelos passageiros vão além do preço dos passes».
Segundo a DORP, milhares de utentes enfrentam «sobrelotação, insuficiência de horários, degradação das condições de conforto e falta de articulação entre os diferentes modos de transporte». O partido alerta que «implementar a gratuitidade sem aumentar a capacidade da rede» poderá «degradar ainda mais as condições de utilização e contribuir para o descrédito do transporte público».
PCP critica decisão «unilateral» da Câmara do Porto
No comunicado, o PCP critica também a forma como a proposta da gratuitidade foi apresentada pela Câmara Municipal do Porto, considerando que a decisão foi tomada «de forma unilateral e sem garantias conhecidas de investimento robusto».
Para o PCP «a mobilidade no Porto não começa nem acaba nos limites administrativos do concelho». O partido sublinha que milhares de pessoas entram diariamente na cidade vindas de outros municípios da Área Metropolitana, defendendo que medidas isoladas podem criar «novas assimetrias e injustiças» entre utilizadores da mesma rede de transportes.
A DORP sustenta que qualquer caminho para a gratuitidade deve ser «acompanhado por financiamento público estável através do Orçamento do Estado e por um reforço efetivo dos meios disponíveis».
O PCP entende que «a gratuitidade exige mais autocarros, mais carruagens, mais motoristas, mais trabalhadores e melhor articulação entre operadores», refere o comunicado, que aponta ainda a necessidade de melhorar acessibilidades, interfaces e informação aos passageiros.
Entre as propostas defendidas pelo partido estão o reforço do financiamento público dos transportes, a valorização do passe Andante enquanto título intermodal metropolitano, a redução do preço dos passes regionais e o alargamento da gratuitidade aos maiores de 65 anos.
CDU abstém-se na Assembleia Municipal do Porto
O PCP esclarece ainda que a CDU se absteve na votação da proposta apresentada na Assembleia Municipal do Porto, realizada a 4 de maio. A coligação afirma não estar contra a gratuitidade, mas considera que a medida foi apresentada «sem plano de investimento conhecido e sem uma resposta integrada» para toda a Área Metropolitana.
Apesar das críticas, a DORP reafirma o «apoio à gratuitidade progressiva dos transportes públicos», defendendo que esta deve ser acompanhada por planeamento, investimento e reforço da rede para garantir um serviço «público, acessível, fiável e de qualidade».
Bruna Pinto Lopes, jornalista
Com Beatriz Pesqueira, finalista de Ciências da Comunicação, UM (Trainee)


