Aviso aos Estados Unidos
«Eu quero, posso e mando» teria pensado Donald Trump, quando deu ordem para atacar a Venezuela e prender o seu Presidente, Nicolás Maduro, no dia 3 de Janeiro de 2026, «acusando-o» dos crimes de traficância de cocaína, de metralhadoras e dispositivos destrutivos.
Alguns dias depois, o Presidente dos Estados Unidos, com a mesma prosápia de sempre, anuncia que o objectivo dos Estados Unidos é tomar, pela força, a Groenlândia – território autónomo da Dinamarca, um país membro da União Europeia –, a maior ilha do mundo, com uma importância geoestratégica e riquezas naturais sob o gelo que cobre 81% da sua superfície, atrai o interesse dos Estados Unidos e «…é um ponto estratégico dos Estados Unidos e a ilha será tomada, a bem ou a mal».
Mais uma vez a soberania da Europa e de um dos seus membros foi «ameaçada» e, o mal é que a União Europeia sabe do interesse dos Estados Unidos, nos 25 dos 34 minerais da sua lista oficial de matérias-primas essenciais, incluindo terras raras.
Entretanto, levanta-se a voz do ex-general da OTAN, o tenente-general francês Michel Yakovleff, para fazer um impressionante alerta ao mundo: «…se Donald Trump tentar tomar posse da Groelândia, a Europa deve estar pronta para dar resposta com armas – mesmo contra os Estados Unidos»! Isto não é bravata nem bluff. São palavras de guerra!
A América de Trump transformou-se, em pouco tempo, tão imprudente, imperial e hostil aos aliados, que pode pôr em perigo a Europa e o fim da OTAN. O «divórcio» está iminente! A retórica intimidatória de Trump e as ameaças abertas contra a Groelândia – um território que faz parte da Dinamarca, um aliado da OTAN – são incompatíveis com qualquer aliança baseada na defesa mútua e no respeito.
E Yakovleff vai mais longe ao dizer que Donald Trump «trabalha em silêncio para os interesses de Putin», ao tentar minar a OTAN, enfraquecer a Ucrânia e semear o caos entre os aliados democráticos. E, seja por incompetência, ego ou algo mais obscuro, Trump está fazendo exatamente o que o Kremlin quer e as consequências estão a tornar-se claras.
Por isso, se os Estados Unidos abandonarem a ordem baseada em regras e começarem a ameaçar os aliados com força militar, então, a OTAN terá que lutar ou morrerá. Este é o custo da política autoritária fantasiosa de Donald Trump.
Alvarinho Cerqueira Sampaio
Poeta e Escritor;
Antigo presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro Fins


