PS Maia critica vereadora da Educação na Maia
A vice-presidente da Câmara Municipal da Maia, Emília Santos, com o pelouro da Educação, assina esta semana um Editorial no “Povo Livre”, órgão oficial do PSD, do qual é diretora, sob o título “A Responsabilidade De Governar Em Tempo De Mudança”, onde refere, entre outras coisas, que «O Ministério da Educação deu um passo decisivo ao substituir um modelo burocrático e desatualizado por um sistema digital mais eficiente e alinhado com as exigências contemporâneas», acrescentando que «Inovar implica riscos, mas governar é precisamente saber responder a esses riscos com serenidade, rigor e capacidade operacional».
O PS Maia não concorda com a posição da diretora do jornal do PSD, vice-presidente da Câmara Municipal da Maia e enviou hoje um comunicado às redações acusando-a de ignorar «os alunos e as famílias na maior crise escolar em 30 anos», considerando que a sua intervenção «ignorou por completo a realidade vivida nas escolas e pelas famílias do concelho».
«Naquela que é uma das mais graves perturbações do sistema de exames dos últimos 30 anos, a responsável pelo pelouro da Educação optou por defender o Governo, sem uma única referência à Maia, aos seus alunos, aos seus professores, às suas escolas ou às famílias que enfrentaram dias de enorme incerteza», dizem sobre o referido editorial do jornal nacional.
Sobre o texto do Editorial que Emília Santos também partilhou nas suas Redes Sociais, o PS diz que «há sucessivas referências ao Governo, ao Ministério da Educação e ao Estado, mas em contrapartida, as palavras Maia, famílias, encarregados de educação e professores não são mencionados uma única vez. Os estudantes surgem apenas numa referência instrumental e as escolas são igualmente referidas apenas como parte do funcionamento do sistema», comentam e acusam «Esta ausência não é um mero detalhe. Num momento desta dimensão, que prejudica alunos da Maia, esperava-se que a responsável municipal pela Educação colocasse a comunidade educativa da Maia no centro da sua intervenção e das suas preocupações», defendem.
Para o PS a vereadora «não quis ver» e enumeram:
«· Um sistema utilizado por mais de 166 mil alunos em todo o país.
· Uma falha de segurança que obrigou à suspensão temporária da plataforma.
· Pautas da 1.ª fase adiadas.
· Cerca de 1400 provas com classificação temporariamente suspensa.
· Escolas obrigadas a abrir fora de horas e ao fim de semana.
· Pautas publicadas com erros e alunos que receberam provas de outros alunos.
· Centenas de alunos que viram as suas notas baixar e as suas expectativas de entrada no ensino superior diminuir.
E nada disto era imprevisível. Muitas destas dificuldades já haviam sido identificadas no projeto-piloto realizado em 2025, no exame de Filosofia. O próprio Ministro da Educação reconheceu, na Assembleia da República, que o Governo não dispõe de qualquer relatório de avaliação desse projeto».
«Modernizar não é improvisar», dizem e explicam «O Partido Socialista da Maia sempre defendeu a modernização da Administração Pública e da Escola Pública. Modernizar é necessário. Foi o PS que trouxe à escola pública portuguesa algumas das suas maiores transformações tecnológicas, e o país precisa de continuar a evoluir nesse caminho. Mas uma reforma testa-se, avaliam-se as conclusões e corrigem-se as falhas antes de ser generalizada, não depois de já ter atingido uma geração inteira. Foi exatamente isso que não aconteceu. A Vereadora escreve que inovar implica riscos. Implica. A questão é quem os corre. Neste caso, não foi o Governo. Foram os alunos», lê-se no comunicado.
Para os socialistas maiatos «merece ainda particular preocupação a referência da Vereadora à existência de uma alegada «resistência corporativa». «Essa caracterização desconsidera o papel dos professores classificadores que denunciaram falhas na digitalização das provas, dos diretores que mobilizaram recursos extraordinários para minimizar os impactos do problema e dos responsáveis do Júri Nacional de Exames que alertaram para as deficiências do processo».
Terminam apontando à atuação local de Emília Santos «esperava-se que a responsável municipal pela Educação estivesse ao lado da comunidade educativa da Maia: ouvindo os diretores dos agrupamentos, acompanhando as dificuldades sentidas nas escolas e anunciando medidas de apoio aos estudantes prejudicados por erros que lhes são totalmente alheios», apontando soluções «poderia ter sido equacionado um mecanismo municipal de apoio aos alunos que tiveram de suportar os custos dos pedidos de reapreciação das provas, na sequência de falhas reconhecidas no próprio processo de classificação».
Para os socialistas «o silêncio sobre estas matérias revela insensibilidade e uma preocupante ausência de proximidade com a realidade dos jovens maiatos. A prioridade de quem exerce o pelouro da Educação deve ser representar e defender os interesses da comunidade educativa local, colocando sempre os alunos, as famílias, os professores e as escolas da Maia em primeiro lugar. Os jovens maiatos merecem uma política educativa próxima, atenta e capaz de responder aos problemas concretos que enfrentam. É esse o compromisso do Partido Socialista da Maia. A Vereadora teve a oportunidade de falar para a Maia. Escolheu falar para o Governo», disseram.
Fica aqui o polémico Editorial da Vice-presidente da CM Maia e diretora do jornal oficial nacional do PSD:
«A responsabilidade de governar em tempo de mudança.
A liderança política revela‑se nos momentos de pressão. A transição para o modelo digital de correção dos exames nacionais enfrentou dificuldades, mas demonstrou a capacidade do Governo para agir com responsabilidade, transparência e sentido de missão pública.
Em Portugal, reformas estruturais na administração do Estado são frequentemente recebidas com resistência corporativa e contestação partidária. A modernização do processo de exames não fugiu a essa regra. Alterações desta natureza implicam sempre ajustamentos, mas não justificam recuos que comprometam o futuro. O Governo assumiu a necessidade de avançar, reafirmando que a modernização do Estado é um compromisso estratégico e não uma promessa circunstancial.
O Ministério da Educação deu um passo decisivo ao substituir um modelo burocrático e desatualizado por um sistema digital mais eficiente e alinhado com as exigências contemporâneas. Inovar implica riscos, mas governar é precisamente saber responder a esses riscos com serenidade, rigor e capacidade operacional.
Foi isso que aconteceu. Perante as falhas informáticas, o Ministro Fernando Alexandre assumiu a liderança do processo, comunicou com clareza e determinou a realização imediata de uma auditoria independente. Paralelamente, foram implementadas soluções que garantiram a proteção dos estudantes: correção contínua de erros em articulação com as escolas, criação de uma fase extraordinária de exames em setembro e, sobretudo, a classificação atempada da esmagadora maioria das provas, preservando o calendário do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior.
Num cenário que poderia ter provocado atrasos significativos, o sistema manteve‑se funcional e o calendário nacional não sofreu perturbações estruturais. Esta capacidade de resposta demonstra que é possível reformar com responsabilidade, modernizar sem comprometer a confiança pública e avançar sem ceder ao imobilismo.
Este episódio confirma que o Governo tem a determinação necessária para conduzir uma transformação estrutural do Estado, sempre com o interesse dos cidadãos como prioridade.», lê-se no jornal “Povo Livre”.


