Projeto Integra + reforça integração de migrantes com foco na capacitação e trabalho em rede
A Associação Empresarial de Portugal (AEP) promoveu, no passado dia 23 de abril, o primeiro de três encontros inseridos no Projeto Integra +: incluir para crescer, uma iniciativa financiada pelo Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração (FAMI 2030). A sessão reuniu entidades e profissionais, num momento dedicado à partilha de conhecimento e à identificação de soluções para os desafios da integração de migrantes em Portugal.
Este primeiro encontro teve como objetivo central promover a reflexão conjunta sobre os principais constrangimentos identificados no diagnóstico de necessidades formativas, nomeadamente as dificuldades sentidas no terreno, as limitações das respostas atuais e a necessidade de reforço das competências dos profissionais que acompanham requerentes e beneficiários de proteção internacional.
O programa integrou dois painéis temáticos- dedicados à saúde mental em contextos de migração forçada e ao papel dos profissionais da integração- reunindo especialistas, técnicos e representantes de diversas entidades com intervenção direta nesta área.
Em entrevista ao Maia Hoje, Céu Filipe, diretora do Departamento de Inovação da AEP, destacou a relevância estratégica do projeto «o Integra + é mais uma referência naquilo que é o posicionamento da AEP. Sendo uma associação que trabalha diretamente com as empresas, sentimos diariamente a necessidade de responder à escassez de mão de obra e à necessidade de trabalhadores mais preparados».
A responsável sublinhou ainda que o projeto se insere numa abordagem mais ampla da AEP à temática das migrações «estamos a trabalhar de forma holística. Não se trata apenas de trazer trabalhadores, mas de os preparar antes da chegada e de capacitar quem os recebe. Temos parcerias internacionais, nomeadamente com Cabo Verde e Angola, onde promovemos formação sobre o mercado de trabalho português, língua, cultura, fiscalidade e segurança social».
Céu Filipe destacou também a importância da articulação entre entidades «há um conjunto muito alargado de organizações- municípios, sistema de saúde, segurança social, associações- que já desenvolvem um excelente trabalho. O que queremos é potenciar esse esforço através da criação de uma rede colaborativa efetiva, onde se partilham experiências, boas práticas e também dificuldades».
Sobre os objetivos do projeto, acrescentou «queremos melhorar a integração, mas também contribuir para um mercado de trabalho mais equilibrado, mais produtivo e socialmente mais estável. No final, estamos a falar de pessoas e queremos que sejam pessoas mais felizes e melhor integradas».
Relativamente ao primeiro encontro, o balanço foi claramente positivo «tivemos mais de 80 entidades presentes, o que demonstra bem a relevância do tema. Este foi um primeiro passo importante, onde apresentámos também os resultados de um inquérito com mais de 100 respostas válidas, que nos permitiu identificar prioridades claras para as próximas ações de capacitação».
Entre os participantes, a Cruz Vermelha Portuguesa de Vila Nova de Gaia destacou o impacto da iniciativa. Alexandra Novais e Cristina Cabral referiram «o balanço é bastante positivo. É um projeto muito interessante, sobretudo porque não se limita a uma ação pontual, há aqui uma perspetiva de continuidade que é fundamental para quem trabalha no terreno».
Acrescentaram ainda «uma das mais-valias é precisamente o facto de envolver não só técnicos especializados, mas também voluntários e outros profissionais. Isso permite alargar o alcance da intervenção e melhorar a qualidade das respostas».
As representantes explicaram também o trabalho desenvolvido pela instituição «na nossa delegação temos diferentes valências, desde o centro de acolhimento e emergência social, à estrutura de acolhimento temporário, ao centro comunitário. Trabalhamos com projetos que apoiam a inserção profissional, o acesso à habitação, a aprendizagem da língua portuguesa e o acompanhamento no acesso a serviços» referiram.
«Há muitas vezes necessidades básicas que precisam de respostas rápidas, mas também um acompanhamento contínuo que permita uma verdadeira integração. É isso que procuramos garantir» terminaram por dizer.
Também Vanessa Branco, coordenadora da Equipa Multidisciplinar Especializada na Assistência de Vítimas de Tráfico de Seres Humanos da Região Norte da APF «para nós, este tipo de iniciativa é fundamental. Trabalhamos com vítimas de tráfico de seres humanos e sabemos que uma parte significativa dessas vítimas são migrantes».
A responsável alertou para a necessidade de capacitar os profissionais «quem está no terreno, a trabalhar diretamente com migrantes, precisa de conhecer os mecanismos existentes em Portugal, nomeadamente o sistema nacional de referenciação para vítimas de tráfico. Sem esse conhecimento, muitas situações acabam por não ser identificadas».
Vanessa Branco reforçou ainda «a sinalização é o primeiro passo. Sem sinalização, não há intervenção, não há apoio, não há integração. Projetos como o Integra + são essenciais para garantir que essa informação chega a quem está no terreno e que conseguimos atuar de forma mais eficaz e articulada».
Dirigido a profissionais, voluntários, estudantes, investigadores e representantes institucionais, o Projeto Integra + pretende consolidar-se como uma plataforma de colaboração e partilha de conhecimento, contribuindo para respostas mais eficazes na integração de migrantes e para uma sociedade mais coesa e inclusiva.


