Jornais celebram a liberdade na “Coluna dos Cravos Encarnados”
Criado no contexto das comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos, o projeto “Coluna dos Cravos Encarnados – Ramo da Liberdade” continua a expandir-se e já reúne cerca de 70 participações de órgãos de comunicação social de várias regiões do país.
Tochas da Resistência
Isalita Pereira, historiadora e secreta poeta
Lendas e realidade –
Contam de tristeza e felicidade.
A Revolução contra a ditadura.
Resistência sua leitura.
A liberdade –
Não é fácil de conquistar.
Beja e Caldas da Rainha –
Sabem historiar.
Acontece –
A fé milagrosa.
A coragem audaciosa.
Alentejo um Cravo recebeu.
A Deus Senhor agradeceu:
“Que outros triunfem, onde nós fomos vencidos.”
Aconteceu em Portugal.
No Monte do Sobral.
Clandestina a Revolução.
Apresentou-se como confraternização.
Alentejo o Cravo segurou.
Para Lisboa caminhou.
O Segredo guardou.
A Ninguém o contou
Capitães de Abril –
Militares a rigor.
Reuniram pensar opositor.
Para a Pátria salvar.
A liberdade conquistar.
Suas vidas arriscaram.
No dia 25 de Abril marcharam.
Não como lenda no nevoeiro.
Escolheram paz e não o justiceiro.
Com Lenço Branco –
Diálogo realçaram.
Perante a ditadura não recuaram.
Ordem de fogo e fragata enfrentaram.
Novo Fado para Portugal escreveram.
Um Cravo oferecido.
Jamais esquecido.
O passado o presente influencia.
Deus Poderoso a vida guia.
Novos acontecimentos para realçar.
Muita História para contar.
A História um Cravo ofereceu.
A ditadura a batalha da paz perdeu.
A Revolução dos Cravos se realizou.
Contra a ditadura a liberdade ganhou.
25 de Abril de 1974,
Revolução dos Cravos
Jamais desistir de sonhar.
Com coragem caminhar.
A Revolução do Cravo aconteceu.
O acender da Tocha da Liberdade se viveu ….
E continuamos a viver.»
A iniciativa partiu da historiadora Isalita Pereira, finalista da Universidade de Frankfurt, que encontrou na poesia uma forma de revisitar a memória coletiva e homenagear figuras marcantes. Nascida na Alemanha, onde viveu até 2007, destaca nomes como Aristides de Sousa Mendes e Salgueiro Maia como referências de coragem em momentos decisivos da história.
A ideia do projeto é: cada jornal participante representa um “cravo”, contribuindo para a construção de um “ramo” coletivo. O primeiro a aderir foi o Correio do Ribatejo, estabelecendo uma ligação com Santarém, de onde partiu uma das colunas militares na madrugada de abril de 1974.
Inicialmente pensado para reunir 50 “cravos jornalísticos”, o projeto ultrapassou esse número e continua em crescimento.
Mais do que assinalar uma data histórica, o projeto continua a criar uma rede de memória e colaboração entre meios de comunicação, onde cada publicação acrescenta uma nova camada ao “Ramo da Liberdade”.
Bruna Pinto Lopes (jornalista)
Beatriz Pesqueira (trainee)


