Teatro de Variedades Presidencial
Pedro Miguel Carvalho
Empresário, júri, blogger e podcaster no sector vinicola.
Foi vice-presidente da JSD da Maia e conselheiro distrital da JSD e do PSD.
Deputado na AM Maia pelo PSD/CDS.
Membro do “Milheirós Fest” e de coletividades maiatas.
Em qualquer democracia madura, a eleição do seu chefe de Estado representa um momento alto e crucial da sua vida cívica.
No nosso país, nas eleições Presidenciais, não escolhemos apenas um nome. Escolhemos a figura maior que encarna a República, que representa o Estado, que é o Comandante Supremo das nossas Forças Armadas, que fala em nome de todos, mesmo daqueles que não votaram nele.
No próximo dia dezoito de janeiro, somos todos chamados às urnas para escolher o próximo Presidente da República.
Enquanto democrata defensor do regime semipresidencialista, assisto com legítima preocupação e perplexidade à banalização do ato eleitoral através de candidaturas que parecem confundir o palácio de Belém com um palco de entretenimento, de desfile de vaidades ou de promoção pessoal.
Não ponho, de todo, em causa o direito de qualquer cidadão se candidatar. A nossa Constituição é clara e, felizmente, suficientemente inclusiva nesta matéria. O problema central começa quando uma candidatura não apresenta qualquer ideia concreta, não discute sequer o papel do Presidente da República e não demonstra qualquer sentido de responsabilidade institucional, muito menos de respeito pela figura maior do Estado. Quando o centro da campanha eleitoral se resume à provocação barata, às manobras de comédia e à tentativa de ganhar atenção mediática, estamos perante uma caricatura do papel do Presidente e da própria Democracia.
O nosso país, atravessa desafios sérios. Uma crise sistémica de confiança nas instituições, dificuldades económicas persistentes, uma juventude que se afasta e desencanta com a política, um debate político cada vez mais extremado e empobrecido e é, neste contexto, que vemos as próximas Eleições Presidenciais transformadas num concurso de desrespeito pelo cargo e pelos cidadãos.
Candidaturas humorísticas, estou certo que podem arrancar sorrisos a alguns, mas contribuem para um problema bem maior. Contribuem para a ideia de que a política é um espetáculo e não um serviço em prol dos outros. Contribui para a ideia de que tudo vale.
O Presidente da República Portuguesa não governa, mas influencia. Não legisla mas arbitra. Não decide tudo, mas tem o poder de decidir muito nos momentos certos. Por tudo isto, exige-se maturidade política, elevação cívica e um mínimo de preparação para o cargo.
Acima de tudo, exige-se noção e respeito.
Num tempo em que tanto se fala de populismo, talvez devêssemos começar por distinguir a sátira legítima da irresponsabilidade cívica. As presidenciais e o cargo de Presidente da República merece muito mais.
O ato de votar, é um ato sério. Escolher quem representa o nosso país no mundo e garante o regular funcionamento das instituições não é brincadeira e, tratar como tal é, no mínimo, um erro e um sinal preocupante dos tempos que vivemos.


