Requalificação da ETAR de Moreira marca nova etapa na recuperação do rio Leça
Esta segunda-feira, dia 2 de março, a Câmara Municipal da Maia e os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento da Maia (SMAS) assinalaram o início dos trabalhos de remodelação da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Ponte Moreira.
A cerimónia contou com a presença do presidente da Câmara Municipal da Maia, António Silva Tiago, do presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, e do vogal do Norte 2030, Humberto Cerqueira, em representação da CCDR-Norte.



A intervenção, orçada em cerca de nove milhões de euros e financiada ao abrigo do Programa Norte 2030 em 70%, tem como objetivo «melhorar o desempenho ambiental e financeiro desta ETAR e dar cumprimento às novas exigências legais ao nível ambiental. Pretendemos tornar esta infraestrutura mais resiliente e sustentável, até tendo em conta as alterações climáticas» começou por explicar Cláudia Albergaria, responsável dos SMAS.
Uma das vantagens da intervenção, que terá a duração de 24 meses, é a possibilidade de «eliminar os odores» produzidos pelo funcionamento da própria estação de tratamento, disse a responsável.



Localizada numa zona de lazer, o cheiro forte torna o ambiente desagradável para a população, assim o confirma Carlos Moreira, presidente da Junta de Freguesia de Moreira, sublinhando que tem alertado a autarquia para a resolução deste assunto.

Em declarações à comunicação social, António Silva Tiago admite que esta requalificação representa «um dos marcos» para a recuperação do rio Leça e explica que «esta ETAR vai ter um tratamento terciário para retirar os odores e substâncias nocivas que afetam o rio Leça».
O projeto contempla várias intervenções, entre as quais a melhoria da capacidade hidráulica e tratamento de efluente com inclusão de processo de remoção de nutrientes, a desodorização das principais estruturas que provocam odores desagradáveis sentidos pela população, a produção de água para reutilização destinada ao autoconsumo e a redução dos consumos energéticos através da instalação de sistema de painéis fotovoltaicos.
«Esta ETAR vai aumentar a qualidade do tratamento, melhorar a eficiência energética apostando em energias renováveis e vai eliminar os odores com um sistema de desodorização» refere o presidente da APA. Acrescenta também que «a Maia sempre liderou em matérias do ambiente».

O projeto visa, segundo Humberto Cerqueira da CCDR-N, «reforçar a sustentabilidade das instalações face aos fenómenos climáticos extremos».
Em funcionamento há cerca de 30 anos (1995), a ETAR de Ponte Moreira assegura o tratamento dos efluentes de toda a freguesia de Moreira, de parte das freguesias da Cidade da Maia e parte da freguesia do Castêlo da Maia.
O projeto conta com o apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) que conjuntamente com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) construiu um plano de ação regional para o ciclo urbano da água e recursos hídricos.
Remodelação da ETAR de Parada
Pretende-se combater a degradação da água não só nesta ETAR, mas também noutras seis: Ermesinde, Arreigada, Barcelos, Rio este, Ossela, Salgueiro, um Investimento que conta com o total de 155 milhões de euros, e com o montante de apoio do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) de 97 milhões de euros.
Para garantir a melhoria da qualidade das águas do rio Leça é necessária a aposta na ETAR de Parada, que trata mais de 70% dos efluentes do concelho, num investimento previsto de 18 milhões de euros «quero que seja uma referência em Portugal», refere o presidente da APA, José Pimenta Machado. Acrescenta ainda que esta é uma ETAR que está muitas vezes “parada” e que é importante moderniza-la.
Segundo o presidente da Câmara da Maia, a intervenção na ETAR de Parada ocorre devido às inundações que acontecem no local. «É a ETAR por excelência da Maia (…) o Governo e o Ministério do Ambiente já se comprometeram a financiar este projeto pelo “Programa Sustentável 2030” com a comparticipação de 85%», explica o presidente.
Revela ainda que no início do verão o projeto de execução deverá estar pronto, sendo que a obra deverá começar em 2027 e só em meados de 2029 estará concluída.

Bruna Pinto Lopes (jornalista)
Beatriz Pesqueira (trainee)
Fotos © Jornal da Maia/ Rodrigo Pedra


