Maia assegura continuidade de projetos sociais do PRR com recursos próprios
A vice-presidente da Câmara Municipal da Maia, Emília Santos, destacou esta quinta-feira o sucesso e a humanização das intervenções sociais desenvolvidas no âmbito das Operações Integradas em Comunidades Desfavorecidas (OICD) da Área Metropolitana do Porto (AMP), anunciando que o município irá garantir, com recursos próprios, a continuidade de projetos estruturantes «que já transformaram a vida de centenas de famílias».
A declaração foi feita durante a cerimónia de encerramento da Unidade Territorial Local (UTL) Interior Norte, realizada em Santo Tirso, momento que marcou o balanço final de uma estratégia conjunta entre os municípios da Maia, Santo Tirso e Trofa.
Financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), as OICD tiveram como principal objetivo combater a exclusão social e a pobreza, assentes em três pilares fundamentais: Capital Humano, Inclusão Social e Qualificação Urbana. Na UTL Interior Norte, a articulação intermunicipal permitiu otimizar recursos, ganhar escala e promover a partilha de boas práticas.
Na sua intervenção, Emília Santos sublinhou a diferença entre a política tradicional e a ação autárquica de proximidade, defendendo uma abordagem centrada nas comunidades.
«Os políticos trabalham para as pessoas, os autarcas trabalham para as pessoas, mas COM as pessoas. É isso que nos torna diferentes» disse.
Na Maia, o programa traduziu-se na implementação de 13 projetos, dos quais 12 foram desenvolvidos em rede com os municípios vizinhos, num modelo de cooperação que a autarca considerou exemplar.
Entre as iniciativas, Emília Santos destacou três projetos que classificou como verdadeiras «marcas de mudança» na política municipal e cuja continuidade já está assegurada pela autarquia.
O primeiro é o “Música a partir do Berço”, um projeto pioneiro de estimulação cognitiva e socioemocional dirigido a bebés das creches da rede solidária, que já chega a mais de 1.000 crianças. «Acreditamos que estas crianças têm de ter a mesma equidade que todas as outras. Daqui a 10 anos, estes bebés serão seres diferentes devido a este contacto precoce com a música», sublinhou a vice-presidente.
Outro dos exemplos apontados foi o “Maia Cuida Mais”, dedicado ao apoio a cuidadores informais. Atualmente, o projeto acompanha 278 famílias, através de equipas multidisciplinares compostas por enfermeiros, psicólogos e terapeutas. Além da capacitação técnica, a iniciativa garante quatro horas semanais de descanso aos cuidadores. «Não fazemos ideia da importância de um dia de descanso para quem cuida de um familiar 24 horas por dia», destacou Emília Santos.
Já o projeto “Desafios na Escola e em Férias” é direcionado a crianças e jovens com necessidades específicas de saúde, oferecendo terapias como musicoterapia e hipoterapia. A iniciativa permitiu ainda a criação de 18 espaços Snoezelen nas escolas da Maia e assegura atividades ocupacionais durante as interrupções letivas, promovendo maior equilíbrio na vida familiar.
Para a autarca, o encerramento deste ciclo de financiamento do PRR não representa o fim das respostas sociais criadas, mas antes a consolidação de um verdadeiro «ecossistema local de inclusão».
Emília Santos aproveitou ainda para enaltecer o trabalho dos técnicos municipais e das entidades parceiras envolvidas, representados na coordenadora da UTL, Paula, deixando uma mensagem de confiança quanto ao futuro.
«A inclusão não acontece por acaso. Constrói-se através de políticas públicas intencionais e de investimento social» declarou.
A cerimónia contou com a presença de Agostinho Branquinho, primeiro-secretário da Área Metropolitana do Porto; Marco Cunha, vereador da Coesão Social de Santo Tirso, e João Marques, vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa.
No encerramento, Emília Santos deixou uma mensagem que sintetizou o espírito da intervenção social promovida na Maia «Não estamos apenas a concluir um ciclo de financiamento; estamos a concluir a implementação de projetos que mudaram vidas. Na Maia, optámos por não canalizar tudo para betão e infraestruturas, mas sim apostar nas pessoas» concluiu.


