Greve nas Lojas Andante leva trabalhadores à rua contra precariedade e incerteza sobre o futuro

Greve nas Lojas Andante leva trabalhadores à rua contra precariedade e incerteza sobre o futuro

Os trabalhadores das lojas Andante realizam hoje, dia 3 de junho, uma greve geral e uma manifestação em frente às instalações da TMP- Transportes Metropolitanos do Porto, na Alameda das Antas, numa ação que consideram inédita nos 24 anos de existência do serviço Andante.

Segundo os trabalhadores, esta é a primeira vez que todas as lojas Andante aderem em conjunto a uma paralisação.

A mobilização surge na sequência de preocupações relacionadas com alterações ao pacote laboral, mas também devido à situação de precariedade que dizem enfrentar há vários anos e aos receios quanto ao eventual encerramento de espaços de atendimento presencial.

Os profissionais envolvidos referem que, ao longo de décadas, dezenas de trabalhadores asseguraram funções permanentes de atendimento, venda e apoio ao cliente através de sucessivos contratos de outsourcing. Apesar das mudanças de empresas prestadoras de serviços, afirmam ter mantido as mesmas funções, responsabilidades e locais de trabalho.

Com a criação da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP), os trabalhadores alegam ter recebido indicações de que a integração nos quadros da empresa seria uma prioridade. Contudo, dizem que, após cerca de dois anos de reuniões e contactos, apenas algumas funções de coordenação e a linha de apoio telefónico foram integradas diretamente na estrutura da empresa, mantendo-se os restantes trabalhadores das lojas em regime de subcontratação.

De acordo com os manifestantes, as respostas recebidas nos últimos meses sobre o futuro das lojas Andante têm sido pouco esclarecedoras. Em reuniões recentes, a administração terá confirmado a manutenção do modelo de outsourcing até ao final de 2027, sem, contudo, garantir a continuidade das atuais lojas físicas.

Os trabalhadores dizem ainda ter tomado conhecimento de negociações relacionadas com a transferência de alguns serviços para autarquias e de uma aposta crescente em plataformas digitais e canais automáticos de atendimento. Na sua perspetiva, esta estratégia poderá conduzir a uma redução gradual do atendimento presencial e ao encerramento de lojas, com potenciais impactos nos postos de trabalho.

Além das preocupações laborais, os trabalhadores alertam para as consequências que uma eventual redução da rede de atendimento presencial poderá ter para os utilizadores do sistema Andante, especialmente população idosa, pessoas com menor literacia digital e passageiros que recorrem regularmente às lojas para carregamentos, esclarecimentos, aquisição de passes e resolução de problemas relacionados com o sistema de bilhética.

Em comunicado, os trabalhadores defendem que os profissionais das lojas Andante desempenham um papel essencial no funcionamento da rede de transportes públicos da Área Metropolitana do Porto e consideram injustificada a manutenção de vínculos precários durante períodos prolongados, que em alguns casos ultrapassam duas décadas.

«Consideramos incompreensível que profissionais que asseguram diariamente um serviço essencial ao funcionamento da rede de transportes públicos da Área Metropolitana do Porto continuem há vários anos- em alguns casos há mais de duas décadas- sem integração nos quadros e sujeitos a sucessivos vínculos precários», referem os trabalhadores. Os manifestantes acusam ainda a administração da TMP de falta de diálogo institucional, alegando que vários pedidos de reunião apresentados pelo sindicato representativo dos trabalhadores não obtiveram resposta.

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