Emília Santos: Sou candidata ao PSD Maia!

Emília de Fátima Moreira dos Santos, nascida a 16 de Maio de 1972 (53 anos) na antiga freguesia de Barca (atual Castêlo da Maia) é atualmente a vice-presidente da Câmara Municipal da Maia.
Com altos níveis de popularidade, é apontada como sucessora de António Silva Tiago às próximas eleições autárquicas «pela proximidade que tem com as pessoas e pelo trabalho desenvolvido nas áreas sociais», dizem. Após ter conseguido que a Maia fosse distinguida como “Capital Portuguesa do Voluntariado” em 2025, fez com que, em 2026, a Maia seja “Capital Europeia do Voluntariado”. Tudo razões para uma pequena entrevista onde revela que será candidata a presidente da Comissão Política nas eleições internas da Secção da Maia do PSD e que Silva Tiago será candidato a presidente da Assembleia de Secção.
MaiaHoje: Como sabe, já habituamos os nossos leitores, a fazermos as perguntas certas e irmos, sem rodeios, diretos ao assunto que toda a gente quer saber. A pergunta é clara e direta: Está disponível para ser a sucessora de Silva Tiago, que cumpre agora o seu último mandato legal?
Emília Santos: Antes de mais, importa sublinhar que, em Democracia, não há sucessões. Como também é importante ter presente que estamos nos primeiros meses de um mandato ambicioso, com muito trabalho em curso e vários projetos em desenvolvimento, e é nessas responsabilidades que estou plenamente focada.
MH: Compreendemos a resposta, ou melhor a não resposta, mas a propósito, sabemos que tem declinado alguns convites políticos, nomeadamente para exercer atividades de índole nacional. O que é que a “amarra” à Maia?
ES: As atividades de âmbito nacional que exerci foram a pensar na Maia, ou seja, aceitei ser deputada à Assembleia da República para ajudar o nosso concelho e o nosso distrito, para criar pontes e oportunidades de desenvolvimento. Por isso mesmo, quanto estive em Lisboa, continuei sempre bem presente na Maia, junto das pessoas e das instituições, num momento particularmente exigente para o País.
MH: Certamente não pode dizer desta água não beberei, mas não tem qualquer ambição na política nacional? Era capaz de aceitar um cargo de governo, ou de novo servir na Assembleia da República?
ES: É aqui, a trabalhar para os Maiatos, que me sinto plenamente realizada, profissional e pessoalmente. Estou onde verdadeiramente quero estar e me sinto feliz.
MH: Já percebemos que sente a Maia de uma forma muito própria. Tinha o que é chamado um bom emprego na Câmara, não sujeito as quezílias políticas. Verdadeiramente, o que quero saber é quando foi que sentiu o apelo para a política e em particular pelo PSD?
ES: Esse conceito de “bom emprego” na câmara não existe. Sou testemunha do elevado profissionalismo e do sentido de compromisso dos nossos funcionários municipais, que exercem tantas vezes as suas funções em circunstâncias complexas. Merecem bem o reconhecimento e o apreço de todos nós.
Quanto à sua questão, não houve um momento concreto. Na verdade, desde que me lembro que tenho esta consciência de comunidade, de querer contribuir para o bem-estar das pessoas e o desenvolvimento da minha terra. Daí a formação académica que fiz e o trabalho que abracei desde cedo. Depois, tive a enorme felicidade e o privilégio de trabalhar com o nosso Mestre, Doutor Vieira de Carvalho, um autarca com uma extraordinária visão, inspirador e com notável capacidade de concretização. Infelizmente, devido ao facto de o Doutor Vieira de Carvalho ter partido cedo de mais, serei das poucas pessoas da minha geração que teve a felicidade de trabalhar com os três Presidentes da Maia contemporânea, de ter aprendido com todos e de continuar a aprender todos os dias.

MH: Tem tido funções importantes, muitas vezes desconhecidas do grande público, como por exemplo Presidente do Conselho Local de Saúde Mental da ULS (Hospital) de São João. A pergunta que se nos ocorre é, além do prestígio, o porquê de abraçar cargos desta natureza?
ES: Eu tenho aceite esses desafios, não remunerados, não por prestígio, mas sim pela oportunidade que me dão de contribuir para o sucesso dessas entidades, a partir da minha própria experiência e do meu conhecimento, bem como de trabalhar lado a lado com personalidades de elevado valor intelectual e profissional, sem esquecer que a ULS de São João tem, também, impacto no nosso território, e que quero que seja positivo.
MH: Com todos estes trabalhos em mãos, não lhe sobra muito tempo. Como é que organiza a sua vida? Em média quantas horas tem para si um dia de trabalho?
ES: Não é exagero dizer que o meu dia de trabalho começa quando acordo e termina quando me deito, sendo que acordo cedo e deito-me a horas tardias. Mesmo quando estou a tratar dos meus afazeres pessoais, regra geral, estou a pensar no trabalho. É a realidade, não vale a pena disfarçar. Felizmente, tenho uma excelente equipa no Município que torna possível levar a bom porto o muito que temos para fazer. Recordo-me de o Doutor Vieira de Carvalho dizer que “gostava de trabalhar com pessoas ocupadas, que tinham pouco tempo”. Eu sempre tive uma vida ocupada, com responsabilidades de diversa ordem pelo que a exigência do trabalho de autarca, 24 sobre 24 horas, e 7 dias por semana, é algo que não me desgasta. Há uma célebre frase atribuída ao filósofo Confúcio “Escolhe um trabalho de que gostes e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”, de facto tenho a felicidade de fazer o que mais gosto, de ter a oportunidade de ajudar as pessoas, este facto transforma o esforço em propósito.
MH: Imagino que sempre que pode faz uma “escapadinha” para carregar baterias. Consegue mesmo abstrair-se dos problemas? Digo isto porque um dia num fim-de-semana de férias, foi “apanhada” por um nosso leitor a ler o MaiaHoje a centenas de quilómetros da Maia. Consegue mesmo? Desliga o telefone?
ES: O problema é mesmo conseguir fazer uma escapadinha, pois os fins-de-semana estão quase sempre ocupados com compromissos de agenda. Mas sim, quando estou de férias, consigo desligar um pouco, mas não totalmente. Quanto mais não seja, gosto de falar com as pessoas da minha equipa só para saber se está tudo a correr bem.
MH: Avizinham-se eleições para o PSD Maia. Creio que será natural que muitos dos seus apoiantes a queiram propor para liderar a Concelhia? Aceitaria liderar uma lista candidata?
ES: É verdade que tenho sido abordada por muitos militantes e simpatizantes, e confesso que me sinto sensibilizada pelo entusiasmo, pelo carinho e pela confiança que mereço de tantas pessoas. O PSD-Maia tem uma história de líderes notáveis, que muito contribuíram e têm contribuído para a afirmação do partido e, especialmente, da nossa Maia. Por isso, neste momento vou dar-lhe uma notícia. Apresentei hoje a minha candidatura a Presidente da Comissão Política Concelhia do PSD-Maia.
MH: De facto poder-se-á dizer que será a confirmação de algo que já se tem vindo a falar nos círculos da política local. O que a levou a dar esse passo?
ES: Com esta candidatura pretendo contribuir para reforçar a dinâmica interna do Partido, promovendo uma maior proximidade entre o partido, os militantes e a sociedade civil. Acredito num PSD-Maia mobilizador, aberto ao debate, preparado para ouvir, agregar e construir soluções que respondam aos desafios atuais e futuros do nosso Concelho. É uma honra contar com a candidatura a Presidente da Assembleia do PSD-Maia do nosso companheiro, e Presidente da Câmara Municipal, António da Silva Tiago, que será o garante da pluralidade e da vitalidade democrática do nosso Partido, assente na sua valiosa experiência política de quem continua incessantemente a dar tudo pela Maia.
Como sabe, vivemos tempos exigentes, que requerem união, liderança firme, coesão interna e capacidade de renovação. A continuidade do trabalho desenvolvido pelos nossos autarcas deve ser acompanhada por uma estrutura partidária forte, organizada e estrategicamente alinhada com os objetivos de desenvolvimento sustentável, crescimento económico, coesão social e valorização do território.
O PSD-Maia sempre se afirmou na sociedade Maiata como um referencial suprapartidário, em que, para nós, as Pessoas e a Maia estiveram, estão e continuarão a estar sempre em Primeiro, contribuindo para assegurar o caminho de permanente crescimento e de afirmação da Maia.

MH: A terminar não posso deixar de lhe pedir que me diga qual é a sua visão para a Maia. Após este mandato trabalhará em continuidade do que tem vindo a ser feito, ou por outro lado romperá com o passado?
ES: A minha principal preocupação é respeitar os compromissos assumidos pelo Senhor Presidente da Câmara com os Maiatos para este mandato. É isso que me move e é isso que os nossos concidadãos exigem. O futuro, a Deus pertence. Só peço saúde para poder continuar a trabalhar todos os dias para o bem da Maia e dos Maiatos.
MH: É meu dever tentar e insistir, os nossos leitores nunca me perdoariam. Tem em vista vir a ser Presidente da Câmara Municipal?
ES: Percebo a pergunta, mas como lhe disse, o futuro a Deus pertence. Ninguém sabe o que acontecerá daqui a alguns minutos, quanto mais o que vai acontecer daqui a três anos e meio. Neste momento o importante é, por exemplo, assegurar o sucesso da Capital Europeia do Voluntariado, que tanto prestígio e notoriedade está a trazer para o nosso concelho, sobretudo, que está a ter impacto na nossa comunidade graças ao trabalho de todas as voluntárias e voluntários bem como das muitas entidades promotoras de voluntariado Maiatas. Ou olhar para o que será o Parque de Saúde e Bem-Estar da Maia, que está a crescer ali junto à Cidade Desportiva e que colocará os serviços públicos de saúde de proximidade a um nível de excelência. Ou consolidar projetos educativos de referência nacional, como o “Música a partir do berço”, que chega a já mais de 1000 bébés, o facto de promovermos o contacto do inglês com as crianças a partir dos 3 anos que permitiu uma adequada integração do inglês curricular nos 1.º e 2.º anos. Ou permanente necessidade da melhoria das condições do espaço-escola nas suas múltiplas dimensões, convergindo para uma política que promova escolas “construtoras” de felicidade e de bem-estar. Ou ainda cuidar de atender e reparar o muito que estas intempéries estão a danificar. Enfim, há tanta coisa a acontecer e há tantos projetos em desenvolvimento que seria contraproducente estarmos a falar de suposições.

Quem é Emília Santos
Emília Santos é licenciada em Psicologia, na área de Consulta Psicológica de Jovens e Adultos, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto; Pós-Graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas da Universidade de Lisboa e autora de um projeto de investigação sobre “Abandono Escolar Precoce: Causas e Consequências”.
Começou por desenvolver a sua carreira profissional de serviço público, como técnica superior e, posteriormente, como dirigente no Município da Maia. Exerceu as Funções de Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara Municipal da Maia.
Em junho de 2011 foi eleita Deputada à Assembleia da República, funções que exerceu até 25 de outubro de 2019, tendo sido membro da mesa da Assembleia da República.
É Vice-Presidente da Câmara Municipal da Maia, liderando os Pelouros da Educação e Formação Profissional; Saúde; Desenvolvimento Social e Demografia.


