Noite mágica no Coliseu celebra o adeus de Gilberto Gil aos palcos
Aos 83 anos, o músico brasileiro encantou um Coliseu do Porto esgotado numa despedida emocionante marcada por clássicos e cumplicidade familiar
O Coliseu do Porto encheu-se por completo esta sexta, 10 de Abril, para receber uma noite que dificilmente sairá da memória de quem lá esteve. Aos 83 anos, Gilberto Gil subiu ao palco para um dos momentos mais simbólicos da sua longa carreira: a despedida dos palcos numa digressão que celebra mais de seis décadas de música, cultura e história.
Desde cedo se percebeu que não seria apenas mais um concerto. A sala, esgotada, respirava expectativa e emoção. Entre o público, destacava-se a presença do antigo Presidente da Republica, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, que, como tantos outros, se deixou envolver pelo espírito do tropicalismo e pela energia contagiante do artista brasileiro.
Gilberto Gil não esteve sozinho. Subiu ao palco acompanhado pelos filhos, Bem e José, e pelos netos, João e Flor, num cenário que reforçou o carácter íntimo e familiar da noite. Mais do que um espetáculo, foi uma celebração de legado — passado de geração em geração, ali mesmo, diante de um público rendido.
Ao longo do concerto, desfilaram temas que marcaram épocas e atravessaram fronteiras. “Tempo Rei”, interpretada com delicadeza ao lado de Bento no violão, trouxe um dos momentos mais emotivos da noite. Já “Palco”, “Garota de Ipanema” e “Aquele Abraço” transformaram o Coliseu num coro coletivo, numa comunhão rara entre artista e público. Cada canção era recebida como um reencontro.
Houve algo de especial na forma como o público portuense respondeu — caloroso, atento, profundamente ligado à música e à mensagem. Gilberto Gil, com a serenidade de quem já disse muito ao mundo, devolveu esse carinho com sorrisos, palavras simples e uma presença que dispensava excessos e história de cada uma das pérolas ali cantadas.
Mais do que um concerto de despedida, foi uma celebração da vida, da música e da partilha. Uma noite onde o tempo pareceu abrandar — talvez por respeito a quem tanto lhe cantou.
O adeus não é ainda definitivo em Portugal. O músico brasileiro regressa a 8 de julho para atuar no festival CoolJazz, em Cascais. Mas, para quem esteve no Coliseu do Porto, será uma noite a eterna e a recordar.


