Jogadoras e treinador do Nogueirense hospitalizados por hipotermia
Duas jogadoras e um treinador do União Nogueirense FC foram assistidos e transportados para o Hospital de São João, no Porto, após apresentarem sinais de hipotermia, na sequência de um jogo disputado ao final da tarde do passado sábado, 7 de fevereiro, em São Mamede do Coronado.
De acordo com o jornal Notícias da Trofa, as atletas têm 26 e 22 anos, enquanto o treinador terá cerca de 25 anos. O primeiro alerta foi dado por volta das 19h20, inicialmente para assistência a uma das jogadoras. Cerca de 25 minutos depois, pelas 19h45, foi acionado um segundo alerta para uma segunda atleta. No local, os meios de socorro identificaram também o treinador da equipa a necessitar de cuidados médicos.
Antes da chegada das equipas de emergência, as vítimas estavam já a ser assistidas por uma atleta do clube da Maia, bombeira nos Voluntários de Valbom, que iniciou de imediato medidas de aquecimento, incluindo banhos de água quente. No local estiveram os Bombeiros Voluntários da Trofa e a equipa da SIV de Santo Tirso. Após a assistência pré-hospitalar, as três vítimas foram transportadas para o Hospital de São João, onde ficaram em observação para avaliação clínica.
O caso gerou forte contestação por parte de elementos do clube. Nas redes sociais, a jogadora Jéssica Pinto denunciou que a equipa foi obrigada a disputar o encontro frente ao São Romão «debaixo de temporal e sem condições para a prática do futebol».
«Surreal o que aconteceu, desumano! Os próprios árbitros foram chamados ao balneário para assistirem ao que estava a acontecer e mesmo assim quiseram continuar o jogo. Foi assustador», escreveu a atleta no Instagram, relatando ainda que a bola não rolava devido às inúmeras poças de água no relvado, que a chuva era intensa e que algumas jogadoras mal conseguiam chutar a bola devido ao frio extremo.
A futebolista criticou também o facto de um diretor do clube ter sido obrigado a permanecer fora dos bancos, exposto à chuva e ao vento, por imposição regulamentar.
Em declarações ao Record, o presidente do União Nogueirense FC, Ângelo Coelho, reforçou as críticas à arbitragem.
«A bola não rolava, tantas eram as poças de água. O jogo foi interrompido mais de 15 vezes e, contra todos os regulamentos, foi sempre retomado, mesmo depois de mais de 30 minutos de espera» afirmou.
O dirigente sublinhou ainda que um elemento da direção acabou por ser hospitalizado. «Não foi permitido a um diretor nosso ficar no banco, ficou ao frio e à chuva e teve de ir para o hospital, com hipotermia, tal como duas jogadoras nossas. Foram decisões do árbitro. Foi displicência total», concluiu, lamentando que «se é assim que querem promover o futebol feminino, não vale a pena estar a perder tempo».


