Nasceu em São Salvador da Torre, Viana do Castelo, mas é a Maia que traz no coração. Com 43 anos, o trabalho do piloto profissional de ralis é conhecido muito para além das pistas.

Renato Pita diz não ter ninguém na família ligado aos automóveis, mas explica que a paixão é antiga «desde muito novo colecionava carros. Só de rali, são mais de 600 exemplares» que ainda hoje guarda em caixas por não ter espaço suficiente para os expor.

O sonho passava por «associar os automóveis ao desporto», mas após ter terminado o 12º ano em artes, veio para o centro da cidade do Porto, onde começou a trabalhar na área de publicidade, comunicação e imagem. Foi nessa mesma vertente que, cerca de dois anos depois, criou com dois amigos uma empresa que manteve até 2009, altura em passou a dedicar-se exclusivamente aos automóveis. Até lá, ia dividindo o trabalho com a paixão dos ralis «por carolice», como diz. «Foi assim que me iniciei, em 2005, com a participação no Campeonato de Iniciados».

Diz ter «começado a carreira muito tarde», por isso, «percorri os campeonatos todos em Portugal, desde as provas de iniciados, os regionais, ao Open de Ralis e ao Nacional, e, após ter conseguido um pódio em todos eles, iniciei o meu percurso pela Europa, em 2012, onde ao fim de seis anos, me tornei campeão do TER – Tour European Rally».

Hoje, acumula no seu currículo a presença em provas nacionais e europeias de ralis, com vários títulos conquistados. No final de 2017 triunfou com a conquista do título de campeão no TER – Tour European Rally 2WD Trophy, competição ganha em Itália após a disputa do Tuscan Rewind, onde um quarto lugar no seu escalão permitiu festejar a conquista daquele título. Em 2018, as expectativas estavam altas. O piloto sagrou-se vice-campeão no Tour European Rally 2WD Trophy, ao lado da estreante espanhola, Alba Sanchez, mas não conseguiu segurar o bi-campeonato.

 

Um sentido social

Renato Pita admite ser «um apaixonado pela Maia», razão pela qual, em 2014, criou a sua própria estrutura, sob a marca “Renato Pita Motorsport Events”, neste município. É também com a autarquia maiata que estabelece parceiras de responsabilidade social e corporativa, nomeadamente através do apadrinhamento do projeto “Maia, a prevenção rodoviária começa por ti”, desenvolvido no âmbito do Programa Municipal de Saúde Escolar, que leva a pedagogia da segurança na estrada às escolas de ensino básico do concelho, numa parceria com a Polícia Municipal. Mas, o empenho e dedicação deste piloto vai muito mais além. Mentor e responsável pelo projeto “Etapa Segura – Campanha de Segurança Rodoviária”, realiza por todas as escolas do país, ações de sensibilização com crianças do 1º ciclo com a intenção de transmitir valores e incutir noções sobre segurança rodoviária. Foi através deste projeto que, em 2017, lançou o livro “De mãos dadas com a segurança”, da sua autoria, escrito por Isabel Zambujal e ilustrado por Carlos César Matos. Com este livro, procura levar aos mais novos, nas escolas, ensinamentos que apontem para uma efetiva segurança rodoviária do ponto de vista de quem anda nas estradas. Renato Pita será, eventualmente, o primeiro piloto português a assinar um livro a cerca de segurança rodoviária no Plano Nacional de Leitura. Da parceria com a rede de óticas nacional Optivisão, resultaram as ações de rastreio visual infantil, desenvolvidas através de uma unidade móvel. O objetivo passa por prevenir problemas futuros no campo oftalmológico nos mais novos.

2019 ruma à Madeira

«2019 começou a ser preparado em agosto do ano passado», referiu o piloto maiato, que este ano irá participar no Campeonato da Madeira de Ralis, pelo acordo com a parceira Transinsular, ao lado da navegadora madeirense Adriana Neves. «A minha maior dificuldade será lutar contra o factor conhecimento dos adversários do território», explica, ao referir que esta é «uma prova mais pequena, mas com caraterísticas muito próprias».

Até ao ano passado, Renato Pita competia com um Ford Fiesta R2, mas este ano o carro poderá mudar porque, explica, «optei por me desvincular de uma marca automóvel para poder trabalhar com várias marcas. Vou iniciar o Rali da Madeira com o Ford, mas a meio poderei trocar».

Confrontado com o facto dos ralis serem um desporto caro, Renato Pita não desmentiu ao revelar que o investimento em 2018 rondou os 200 mil euros, um valor mais alto do que o previsto para este ano que poderá ascender aos 135 mil euros. Mas, refere que «talvez as pessoas não tenham essa noção, mas o mais caro nos ralis é o nosso equipamento».

A competição arranca a 15 e 16 de março com o Rali Município de São Vicente. Em outubro deste ano, Renato Pita deslocar-se-á à Suíça, pelo sexto ano consecutivo, para disputar o Rally International du Valais, a pedido dos portugueses emigrantes naquele país.

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