Em Julho do ano passado, o “Eixo Atlântico” aprovou a concessão das Medalhas de Ouro da entidade à atual presidente da Adif, Isabel Pardo de Vera, e José Albino Silva Peneda, presidente da CCDR-N em 1995 e ministro do governo português entre 1987 e 1993, pelas suas contribuições para a construção e desenvolvimento da euro-região Galiza – Norte de Portugal.

A condecoração teve lugar ontem, dia 19 de Fevereiro, num ato solene que coincidiu com a realização da Assembleia-geral do Eixo Atlântico, que decorreu no o Teatro Lauro Olmo, em “O Barco de Valdeorras”, província de Ourense, Galiza.

José Albino Silva Peneda foi presidente da CCDR-N em 1995, partilhando a presidência da Euro-região com Manuel Fraga Iribarne. Anteriormente, entre 1987 e 1993, foi ministro do Emprego e Segurança Social no XI e XII Governo Constitucional de Portugal.

Até se ter aposentado foi presidente do Conselho Económico e Social de Portugal desde 22 de dezembro de 2009 até 1 de maio de 2015, altura que renunciou para assumir funções de assessor do presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Junker.

Durante toda a sua trajectória caracterizou-se pela defesa dos interesses da região Norte de Portugal e da cooperação com a Galiza, tendo colaborado com o Eixo em alguns relatórios estratégicos de maior relevância.

Isabel Pardo de Vera foi a primeira mulher a receber a Medalha de Ouro do Eixo. Engenheira de Camiños, foi diretora-geral de Exploração e Construção da Adif, até ter sido recentemente nomeada como presidente deste organismo.

Durante a sua etapa como diretora-geral foi a artífice da inclusão da linha A Coruña, Vigo, Ourense, O Barco, Palencia na proposta do Governo espanhol para ser integrada no Corredor do Atlântico, o que por fim se consegui no passado mês de junho. Também foi a artífice da modernização e eletrificação da linha Lugo-Ourense, proposta defendida pelo Eixo Atlântico e no momento em que foi nomeada estava a analisar a proposta do Eixo Atlântico sobre a saída sul de Vigo para determinar a viabilidade da retomada das obras.

Medalhas do Eixo Atlântico

As Medalhas de Ouro do Eixo Atlântico constituem o galardão de maior relevo e prestígio no âmbito euro-regional com o qual se reconhece as pessoas e instituições mais envolvidas e mais próximas da construção da euro-região e do desenvolvimento da cooperação entre a Galiza e o Norte de Portugal.

As medalhas são outorgadas a cada dois anos coincidindo com cada uma das presidências da entidade. O presidente e vice-presidente submetem à consideração da Comissão Executiva os nomes para que esta, por sua vez, os leve a Assembleia-geral, que é o órgão que os aprova.

Entre os distinguidos em anteriores edições encontram-se Manuel Fraga, Mário Soares, Gerardo Fernández Albor (já falecidos) ou o presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors.

Necessidade de melhorar as suas infraestruturas e investimentos

O Barco de Valdeorras foi o anfitrião da XXVII Assembleia Geral do Eixo Atlântico que reuniu presidentes e vereadores dos 34 municípios, galegos e portugueses que a integram. A decisão de a realizar nesta cidade deveu-se ao apoio que se pretende dar ao eixo interior da Galiza e do Norte de Portugal que vive uma grave crise demográfica e uma das que mais necessita de infraestruturas e investimentos. O vereador Paulo Ramalho, foi o representante da Câmara Municipal da Maia nesta reunião.

A Assembleia Geral aprovou um orçamento de 4,3 milhões de euros para o presente exercício. O Eixo Atlântico inicia uma linha de trabalho centrada em torno da crise demográfica da população do interior da euro-região que afeta principalmente a Galiza, que com menos população tem menor representação em número de deputados e por isso um menor peso político nas decisões.

Neste sentido, o Eixo Atlântico está a elaborar uma estratégia com soluções que serão remetidas tanto aos governos de Espanha e Portugal, que possam ser viabilizadas com fundos europeus no período 2021-2027 e que integre as infraestruturas necessárias para o eixo interior.

Também se aprovou o Plano de Ação da Agenda Urbana, que foi trabalhado ao largo de um ano e que a partir deste momento os municípios desenvolverão segundo as necessidades e tipologias de cada um. A Agenda Urbana do Eixo Atlântico foi reconhecida pela Comissão Europeia como a primeira Agenda Urbana transfronteiriça da Europa.

Por último, abordou-se a situação das infraestruturas e as expectativas tanto em Portugal, onde as propostas do Eixo Atlântico já estão todas em marcha ou foram incluídas dentro do Plano Nacional de Investimentos, como em Espanha onde o Eixo Atlântico está na expectativa dos resultados eleitorais embora o nível de diálogo com os partidos políticos maioritários permite ter a convicção de que as obras propostas se desenvolverão segundo o previsto.

A Assembleia Geral do Eixo Atlântico manifestou a sua satisfação pelo facto de o ministro de Fomento, José Luís Abalo ter apresentado em Madrid, o Plano Diretor do Corredor Atlântico, e também pelos consensos que o Corredor está a suscitar nos últimos tempos, tendo-se juntado setores e administrações que não estavam no seu início, mas que são bem-vindos.

O Corredor Atlântico é fundamental para a Galiza e especialmente para os portos galegos e para o interior da euro-região.

O Eixo Atlântico ratificou a sua posição de que a Galiza apenas deve ter um único corredor que una Ourense, Monforte de Lemos e O Barco de Valdeorras já que ter mais de um debilitaria a massa crítica necessária para a sua viabilidade.

 

Fotos Eixo Atlântico

 

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