António Costa afirmou e reafirmou, 5 vezes consecutivas, diante os deputados da nação e frente às câmaras que levaram a cena a todo o país, que o INFARMED vinha para o Porto.

Por seu lado, o Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, pessoa por quem até nutro uma certa simpatia pessoal,  por me parecer boa pessoa, com a inabilidade política que o carateriza, deixou-se embrulhar todo com a conversa de António Costa, pondo-se a jeito para levar com críticas de todo o lado, incluindo do interior do PS, com Manuel Pizarro a arrear-lhe forte e feio, já que não se podia atrever a malhar em Costa.

O pobre Ministro apanhou pancada de todo o lado, enquanto o Primeiro-Ministro fugia entre os pingos da chuva, antes que a coisa começasse a engrossar, como acabou por acontecer.

Os coros em Lisboa esqueceram a harmonia descentralizadora do país, e todos em uníssono, começaram a gritar alto e bom som, que a descentralização não é remédio para curar as assimetrias e desequilíbrios históricos que sempre comprometeram a coesão territorial e social do país, condenando o resto, quer dizer o território que fica além das portagens de Aveiras e da Ponte 25 de Abril, ao atraso e subdesenvolvimento crónico, quando comparado com os índices económicos da capital.

O verdadeiro problema é a ausência de vontade política

Movido apenas por um impulso extemporâneo, António Costa num golpe de asa, agarrou o telefone e ligou para o Porto, oferecendo o INFARMED a Rui Moreira, como quem dá um rebuçado a um miúdo, para ver se ele esquece o chocolate que lhe fora prometido por quem não o podia ter feito.

Acontece porém, que Costa é o Primeiro-Ministro de Portugal e Rui Moreira, naquela situação, não era somente a sua pessoa, mas o próprio Porto. E estas pequenas nuances de representatividade têm significado político, que não se deixa esgotar na mera tentativa manhosa de aplicar uma terapia paliativa.

Rui Moreira não se vai calar, porque percebeu que este assunto do INFARMED lhe dá uma legitimidade extra para se agigantar e erguer a voz do Porto. Livre de qualquer obediência ou reporte a diretórios partidários, o que lhe acrescenta ainda mais força e reconhecimento social.

A credibilidade da palavra de honra do Primeiro-Ministro sai francamente fragilizada, e recuperá-la, no Porto e no Norte , vai ser uma tarefa hercúlea para as agências de comunicação que prestam essa assessoria a António Costa.

Independentemente do interesse da vinda deste instituto público para o Norte  do país, o que verdadeiramente resulta desta “brincadeira” do toma lá e antes que agarres dá cá, que me faz lembrar aquela lengalenga de infância “quem dá e tira pro inferno gira”, é o descrédito da figura de Primeiro-Ministro e mais um rude golpe na confiança dos cidadãos nos seus governantes e políticos.

A cada episódio de falta de respeito pelas populações e pelo país, cresce a minha convicção de que Portugal só conseguirá desenvolver-se harmoniosamente em autêntica coesão social e territorial, quando o poder político for definitivamente descentralizado e entregue às regiões, ficando em Lisboa, capital, os assuntos políticos que compreensivelmente devem ficar sob a alçada da decisão do governo e de deliberação do poder legislativo nacional.

Quando Portugal evoluir nesse sentido, então deixaremos de ter um Primeiro-Ministro que diz coisas pela boca fora, sem nenhum receio das consequências de que as suas certezas valham tudo hoje e nada valham amanhã. Palavras para quê? É um artista português!…

 

Opinião de Victor Dias 

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