Portugal tem, actualmente, um dos mais exigentes programas de formação na especialidade de Medicina Geral e Familiar. Longe vão os tempos em que o clinico geral, na altura em que não havia especialidade organizada, optava por passar umas receitas e umas ‘baixas’ na ‘caixa’. Para se tornar especialista, o médico de Medicina Geral e Familiar (MGF) é submetido a um intensivo programa de formação tanto prático como académico como o tem valorizado no conhecimento e no contacto com o doente.

O modelo de organização das Unidades de Saúde Familiar ‘obrigou’, igualmente, a um salto qualitativo proporcionando a revolução final nos cuidados de saúde primários. Hoje a maior parte dos MGF estão aptos a realizar prevenção, diagnosticar e tratar co morbilidades. Mais… fruto da sua visão e da sua localização privilegiada para lidar com os doentes, têm a capacidade de ver o todo do doente adaptando a múltipla medicação para as diferentes co morbilidades de cada doentes.

O anterior ministro da saúde teve a visão do que poderiam vir a ser os próximos centros de saúde: unidades funcionais com disponibilidade imediata de análises e outros Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT). Há muito que se falam nos MCDT à cabeceira do doente. E são tantos os candidatos ao próximo papel que o estetoscópio hoje representa… Na verdade, esta realidade futurista é cada vez mais uma actualidade, mas muito mais à custa dos profissionais (mais uma vez), do que propriamente à custa de investimento estatal. Aliás, nos ditos centros de saúde do próximo século (até já há projectos pilotos bem-sucedidos), devem ser adaptados às reais necessidades de cada população. Fará sentido as necessidades em saúde da Maia serem consideradas as mesmas de Faro? Fará sentido, por isso, que os profissionais sejam tutelados pela mesma batuta do conhecimento? Porque não devem as equipas elas próprias organizarem-se por áreas de conhecimento, para além da sua lista de utentes…?

A MGF é a mais importante porta de entrada do doente no Serviço Nacional de Saúde, por isso deve ser mimada, deve ser respeitada e deve ter os investimentos necessários a uma melhor orientação, pois só assim se poupa naquilo que é importante que é nos custos da doença.

Embora o reconhecimento pela especialidade seja cada vez maior, só com uma perspectiva futurista do seu papel conseguiremos antever e satisfazer as necessidades de todos.

 

Ricardo Filipe Oliveira 
Médico Especialista;
Competência pela Ordem dos Médicos em Acupuntura
Doc. Universitário UP;
Lic Neurof. UP;
Mestre Eng. Biomédica FEUP,
med.ricardofilipeoliveira@gmail.com
www.ricardofilipeoliveira.com
Não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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