A afirmação é de Manuel dos Santos, ex-secretário de Estado e histórico do PS, que esteve na quarta iniciativa do Matosinhos Independente.

Joaquim Jorge, fundador do Clube dos Pensadores e agora potencial candidato à CM Matosinhos trouxe à conversa para uma conferência, Manuel dos Santos, ex-eurodeputado do PS, dirigente dos primórdios da fundação do PS, homem da linha de António Guterres, secretário de Estado do Comércio que chegou a ser líder no distrito do Porto, naquela que é a quarta iniciativa do seu “Matosinhos independente” (MI).

Segundo Joaquim Jorge, Manuel dos Santos começou por pensar Matosinhos de uma forma nacional e não local, sublinhando que «um dos maiores problemas em Matosinhos é a mobilidade», mas aproveitou para tecer algumas considerações que também têm que ver com Matosinhos.

Manuel dos Santos referiu-se aos jovens dando-lhes o conselho que «não devem entrar na política sem antes terem alguma experiência de vida, quem vai para a política deve ter liberdade e independência», defendeu.

Referiu-se a Matosinhos pela sua experiência política e por residir na Senhora da Hora há muitos anos, para o socialista, ex-membro do governo «Matosinhos passou por três fases: 1º a fase das necessidades básicas; 2º a fase da requalificação e a 3ª fase na qual não consegue identificar nenhuma missão para Matosinhos», disseram-nos.

Continuando a sua exposição referiu que «Matosinhos está a perder importância na área Metropolitana do Porto», acrescentando que «há uma ausência completa de liderança política e de decisão política», tendo salientando que «qualquer câmara consegue funcionar assente nas suas instituições mesmo sem liderança que é o caso de Matosinhos».

Manuel dos Santos deu exemplos «o Hotel na praia da Memória demonstra a ausência na condução política em Matosinhos», não estando interessado em achar culpados «ou o enredo deste processo (…) o decisor político tem que tomar medidas, em defesa da autarquia, desde que não seja contra a Lei, independentemente dos pareceres dados pelas entidades», acrescentou que «é paradigmático o caso do Hotel e demonstra a falta de liderança em Matosinhos», disseram-nos.

Outro exemplo que terá referido de falta de liderança política terá sido «o que se passou no Rivoli». Joaquim Jorge relembra que «Luísa Salgueiro, actual presidente da Câmara de Matosinhos, subiu ao palco quando a Declaração do Rivoli foi aclamada por todos os presidentes, e que posteriormente viu aprovada, por unanimidade, pelo Executivo camarário, o apoio ao documento, afinal decidiu não assinar o adiamento da Descentralização», transmitiu.

Como um estudioso do sistema político Manuel dos Santos disse que «o meu pensamento político evoluiu e sou a favor de candidaturas independentes», porque «não considero que a política comece e acabe nos partidos» e acrescentou «os partidos têm que existir e os movimentos independentes vão obrigar a que os partidos cumpram o seu papel», finalizando que «como há a possibilidade de independentes concorrerem a uma autarquia e à Presidência da República, também é a favor que os independentes o possam fazer à Assembleia da República», disseram-nos.

Joaquim Jorge disse ter ficado «incrédulo quando Manuel dos Santos disse ter sofrido durante a semana pressões para não estar presente na conferência», aproveitando para reafirmar que «Matosinhos tem que partir para outra forma de fazer política. Matosinhos não é “deles” e “dos do costume”, é preciso não confundir bota-abaixo com dizer o que está mal», acrescentando que «exigir a uma câmara prestação de contas, não é política baixa, é o dever por quem se interessa por Matosinhos», referindo-se à recente notícia da revista Sábado que diz ser «muito embaraçosa para o Executivo».

Para o potencial candidato «Matosinhos é o único concelho do país onde se protesta contra a oposição, parte da oposição é um “spin off” do executivo. Há interesses pessoais de vereadores da oposição que são muito comentados e criticados em surdina», acusou.

No final Joaquim Jorge informou que a recolha de assinaturas prossegue a bom ritmo e que Manuel dos Santos assinou a propositura do seu movimento, ao qual Manuel dos Santos esclareceu que assinará «a propositura de qualquer movimento que se perfilhe com este ideário e postura, pois, não é incompatível estatutariamente por ser militante do PS».

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