Já em tempos escrevi sobre este jovem músico, mas depois de ouvir algumas interpretações de arranjos seus, não poderia de modo algum deixar de partilhar com os leitores essa experiência.

Uma das suas criações que me impressionou sobremaneira, foi uma obra que ele próprio compôs, para piano a 4 mãos, que eu tive o gosto de gravar no meu modestíssimo estúdio digital, com o próprio Martin a tocar primeiro a parte I, para as duas mãos à esquerda e a parte II, para as duas mãos à direita do teclado.

Trata-se de uma obra muito bem estruturada, com mudanças d ritmo bem pensadas e coerentes, servidas por apontamentos melódicos belíssimos.

A dinâmica discursiva entre a parte I e a parte II, sucede-se num diálogo por vezes intenso e ritmicamente marcante e uma serenidade quase poética que nos embala.

Como é apanágio nas composições e arranjos do Martin Geyer, a sua inteligência musical permite-lhe explorar até ao limite todas as possibilidades harmónicas de cada momento musical, espalhando harmonia com uma naturalidade tal que até parece fácil, quando na verdade resulta de um processo intelectual e criativo bem complexo.

A propósito de uma interpretação do Martin partilhada com o compositor e pianista norte-americano Jonny May, o jovem maiato teve direito à publicação da seguinte crítica assinada por este notável músico que trabalha para os melhores estúdios e editoras de Jazz na América e que foi já pianista de Jazz residente da Disney stúdios:

“…Eu só uso a palavra génio com muita moderação, mas acredito que o Martin Geyer é um génio. Estou impressionado com as suas capacidades de organização … é incrível o domínio que tem sobre a criação melódica e distribuição da harmonia. A facilidade técnica é soberba. Mas para além de tudo isso, toca com imensa paixão, e é inacreditável a grandeza da sensibilidade e poderosa vocação musical que revela. O arranjo e interpretação que escutei, comprovam que o Martin Geyer está no mesmo nível de Eldar e Brad Mehldau, dois dos melhores pianistas de jazz contemporâneos. Percebe-se o quanto trabalha e se entrega à Música com a sua extraordinária vocação e dom artístico. Mais tarde ou mais cedo, o Mundo saberá quem é o famoso Martin Geyer…” –  Jonny May, Califórnia (Abril de 2018).

Costumo dizer ao Martin que ele ainda vai ter uma legião de fãs por esse Mundo fora, mas o seu fã número 1 sou eu, que desde a primeira vez que o ouvi tocar percebi de imediato que estava diante um músico que pensa, sente, transpira e vive a Música como a sua “quase” única forma de comunicar com o Mundo, virtude que, como facilmente se depreende, é incompreendida por quem não consegue alcançar mais do que a trivialidade. Mas o Martin Geyer realiza performances artísticas e musicais que o catapultam para um nível que não se compadece com a empobrecedora amalgama cultural que nos querem impingir. Ele é de outra dimensão…

Victor Dias

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