Tal como o Maiahoje noticiou recentemente, no dia 5 de maio de 2017 deu entrada na Assembleia da República um Projeto de Resolução pela reabertura do serviço ferroviário de passageiros entre Leixões e Ermesinde, com ligação a Campanhã. A proposta foi admitida e anunciada a 9 de maio de 2017, baixando para discussão no mesmo dia, à competência da Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas. No passado dia 26 de janeiro, foi a votação e aprovada pelo BE, CDS-PP, PCP, PEV e PAN, com abstenção do PSD e PS.

A proposta do PCP, fundada numa estreita ligação aos problemas da mobilidade regional, aproveitando as potencialidades desta linha de leixões, electrificada ainda no final do século passado, prevê a construção de um conjunto de infra-estruturas que vão garantir um serviço de qualidade, nomeadamente:

1) construção de uma Estação Intermodal de Passageiros de Leixões com estacionamento no terreno da APDL e interligação modal com o Metro na Estação Senhor de Matosinhos;

2) dois novos apeadeiros na Arroteia/Leça do Balio e EFACEC (a poente da Via Norte);

3) intervenções para melhoria da plataforma e abrigo para passageiros e rampas de ligação nas estações de Leça do Balio e São Mamede de Infesta;

4) intervenções para melhoria da plataforma e abrigo para passageiros em S. Gemil e Ermesinde;

5) reativação da estação de Guifões, Ponte do Carro, Gondivinho e Araújo

6)  a criação da Estação do Pólo Universitário da Asprela, no Porto, junto ao Hospital de S. João.

Posto isto, o PCP defende que «a reabertura da linha de leixões, acompanhada de um conjunto de investimentos nas actuais e novas infra-estruturas, é uma decisão estratégica no quadro da mobilidade regional multi-modal e, provavelmente, o passo mais decisivo em termos de mobilidade regional nos concelhos do limite norte da cidade do Porto».

Municípios da Maia e Valongo propõem linha «Ermesinde-Águas Santas-Arroteia»

Esta manhã, através do gabinete de imprensa, a Câmara Municipal da Maia diz “unir-se” ao município de Valongo na proposta da linha Ermesinde – Águas Santas – Arroteia como «complemento fundamental para a valorização estratégica do Interface da Asprela».

No comunicado pode ler-se o seguinte:

«Os municípios de Valongo e da Maia tomaram conhecimento de uma proposta com uma nova versão para a linha ferroviária de Leixões através da comunicação social.

Todos sabemos que a atual linha de mercadorias que liga Ermesinde ao Porto de Leixões é um eixo potencial para o transporte de passageiros e por essa razão está inscrito nos documentos estratégicos metropolitanos e nos planos municipais dos vários municípios por onde ela passa, nomeadamente em Matosinhos, tangencialmente no Porto, na Maia e em Valongo.

É igualmente do conhecimento público que para além da linha de Aveiro, a rede CP Urbanos possui a norte da cidade do Porto 3 linhas fundamentais que se direcionam desde Guimarães, Braga e Marco de Canaveses até Campanhã/S. Bento, atravessando Ermesinde e Rio Tinto. Ora, a hipótese de um prolongamento da rede CP Urbanos até Matosinhos é não só desejável como tarda em ser implementada corretamente (e não de forma atabalhoada e ineficaz como foi realizado em 2009).

Esta “nova” linha ferroviária adaptada agora ao transporte de passageiros permite potenciar um equipamento regional igualmente importante – o Interface da Asprela – que engloba o Hospital São João, o Polo Universitário, os vários equipamentos aí existentes e a linha amarela do Metro.

Assim, o ajustamento e alteração da rede CP Urbanos deve ter em vista uma abordagem metropolitana e regional e não ser feita com projetos parcelares que apenas representam um somatório de troços e não uma visão integrada da rede e dos seus investimentos.

Na opinião dos dois municípios a proposta apresentada através do JN de 6 de Fevereiro, de um troço de linha ferroviária que faça transbordo em Campanhã e se oriente através de uma nova estação em Forno diretamente para S. Gemil e daí para o Porto de Leixões traduz uma solução incompleta e só pode fazer sentido se enquadrada numa visão global de reformulação da rede ferroviária dos Comboios Urbanos do Porto sem prejudicar os milhares de cidadãos que usam as linhas do Douro e do Minho todos os dias.

Só assim se conseguirá dar resposta às estratégias que os municípios inscreveram no Plano de Ação para a Mobilidade Urbana Sustentável da AMP prevendo um conjunto de intervenções de curto, médio e longo prazo que privilegiam a urgência da integração da linha ferroviária existente ao Porto de Leixões, com o Interface intermodal da Asprela.

Aliás está considerado nesse documento como de “vital importância na articulação de serviços regionais e mesmo nacionais, no aumento da eficiência do sistema de transportes da Área Metropolitana do Porto, tanto para os seus residentes como para os não residentes, com especial foco no fluxo já significativo da componente turística.”

Por essa razão, sem prejuízo da legitimidade de outras propostas, os Municípios da Maia e de Valongo defendem que os Estudos em curso incluam o troço entre Ermesinde – Águas Santas e Arroteia com ligação à Asprela, numa ótica de mobilidade mais racional e eficaz do serviço não só da Área Metropolitana mas também das populações do Douro e do Minho.

Os municípios de Valongo e da Maia não abdicam da visão integrada dos projetos e dos investimentos nas grandes infraestruturas de mobilidade. A discussão e as soluções técnicas devem passar por opções que sirvam as populações de forma a promover a coesão social. A linha ferroviária de ligação ao Porto de Leixões é um assunto da maior importância e uma peça fundamental do sistema de mobilidade como elemento articulador das linhas de transporte público a nascente e a norte não podendo ser um processo de exclusões mas sim de integração modal e de benefício da população».

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