O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é reconhecido por todos, e, mesmo até já documentado por algumas instituições internacionais de renome, como um dos melhores a nível mundial.

Tal foi conseguido em primeiro lugar devido à construção de uma matriz ideológica, depois concretizada sob a forma de politicas no terreno que permitiu ao SNS dar passos seguros. De todos os documentos, permitam-me destacar a Lei de Bases da Saúde (que actualmente se discute e revê), mais recentemente os muito uteis relatórios de primavera e do outono do SNS e o facto de o SNS ser Universal e tendencialmente gratuito. Em minha opinião foram estes os 2 motores fundamentais. Se não vejamos outros países, como por exemplo os EUA, a Índia ou a China, cujos princípios tentam ser adaptados aos nossos de forma a poderem cobrir dignamente a sua população com dignidade em saúde.

Mas houve outros motores importantes, uma Faculdade de Medicina, com prolongamento nos seus internatos exigente, cientifica mas umas igualmente competentes Faculdade de Farmácia, Psicologia, ou a excelência das Escolas Superiores de Saúde com os cursos de enfermagem ou tecnologias superiores de saúde, fizeram o SNS munido de capital humano, social, e de conhecimento impar no domínio Europeu e Mundial.

Contudo, está a ruir… Por isso urge tentar abordar e reformar o SNS, não esquecendo os ganhos históricos que o fizeram chegar a este patamar. Porque não mudar estratégias de gestão? Mais do que a sustentabilidade económica e financeira do SNS, também é preciso encontrar mais acessibilidade, menos complicações burocráticas.

Julgo que a palavra chave neste capítulo é descentralizar, mas descentralizar a sério… Quem melhor conhece os procedimentos, ou fluxogramas de actuação que não os próprios intervenientes? Então, é preciso mudar gestores, criar estratégias, criar dinâmicas, criar sinergismos, e claro recompensar os ganhos de saúde obtidos.

Mas há mais… porque o problema demográfico é incontornável… logo o investimento no Cuidados Paliativos, Continuados e Internamentos domiciliários é fundamental.

Os problemas do seculo XXI não são iguais aos da constituição do SNS no século XX, logo a nossa visão, a nossa estratégica tem de ser adaptada, e não podemos estar à espera que os profissionais de saúde funcionem como uma espécie de ‘bombeiro’ pronto a acudir o próximo fogo.

A terminar convém lembrar que não há omeletes, sem ovos, por isso, qualquer estratégia definida tem de ter em conta os recursos humanos, técnicos e tecnológicos disponíveis.

O SNS tem tudo para continuar a ser de excelência, haja capacidade e visão estratégica para o conseguir.

 

Ricardo Filipe Oliveira
Médico Especialista;
Competência pela Ordem dos Médicos em Acupuntura
Doc. Universitário UP;
Lic Neurof. UP;
Mestre Eng. Biomédica FEUP,
Med.ricardofilipeoliveira@gmail.com
www.ricardofilipeoliveira.com
Não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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