Em entrevista com Fabiana Peixoto, Médica Interna de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar, USF Odisseia, ACeS Maia Valongo, sobre os benefícios e malefícios do sal e ainda qual a quantidade que deve ser ingerida. 

Maia Hoje (MH) – Qual o papel do sal na nossa alimentação?
Fabiana Peixoto (FP) –O principal constituinte do sal usado na confeção alimentar chama-se cloreto de sódio e a sua fórmula química é NaCl. O sal constitui um componente importante na nossa dieta e é fundamental para determinadas funções no nosso organismo, como sejam o funcionamento adequado dos músculos e nervos, níveis de fluidos e manutenção de uma pressão arterial adequada. O organismo humano não é capaz de produzir cloreto de sódio, e este nutriente é perdido através do suor e urina. Deste modo, é essencial que ele seja consumido através da nossa dieta, mas de forma controlada e moderada.

MH- Que malefícios pode causar o sal que ingerimos?
FP- O sal está associado ao desenvolvimento de várias doenças, em particular as doenças cardiovasculares. De facto, o sal provoca o aumento da tensão arterial, que por sua vez vai afetar o coração, o cérebro e o rim, estando associado ao desenvolvimento de AVC (Acidente Vascular cerebral), Enfarte do Miocárdio, Insuficiência Cardíaca ou até mesmo doenças renais, por exemplo. Está igualmente provada a associação entre o sal e outras doenças, como sejam o cancro do esófago, obesidade e osteoporose.

MH- Como saber que quantidade de sal poderemos ingerir?
FP- A Organização Mundial de Saúde recomenda consumo de sal da população em geral inferior a 5 gramas (g) de sal por pessoa por dia (1 colher de chá). No entanto, em média um português consome o dobro do recomendado por dia (10,6g/dia!), valores de ingestão de sal superiores às recomendações da OMS e aos demais países europeus vizinhos. No caso das pessoas com diabetes ou hipertensão, a recomendação é diferente, e estes doentes devem ingerir menos de 2,4g de sal por dia.

 MH- Então, o que fazer para reduzir o consumo de sal?
1. Reduza gradualmente a quantidade de sal que adiciona às suas refeições, no momento da sua confecção. Esta redução gradual permite uma adaptação também gradual ao sabor dos alimentos, facilitando a adaptação.
2. Leia os rótulos dos alimentos que adquire com atenção:
           Prefira os alimentos que apresentam até 0,3g de sal por 100g de produto;
Evite os alimentos que apresentam mais de 1,5g de sal por 100g de produto.
3. Reduza o consumo de “sal oculto”, isto é, sal escondido em alimentos que não suspeitamos conterem sal. São exemplos as conservas, produtos de carne processada, produtos de pastelaria, de fast food, refeições pré-confecionadas e congeladas, caldos, sopas desidratadas, molhos industrializados, aperitivos salgados, produtos de charcutaria e salsicharia. São produtos com teores muito elevados de sal e que as pessoas não contabilizam normalmente como produtos contendo sal.
4. No momento de comprar o pão, procure informar-se acerca de quais as opções com menor teor de sal.
5. As especiarias e as ervas aromáticas fazem parte de uma alimentação saudável e são um importante substituto do sal, conferindo sabor, aroma e cor às refeições sem os malefícios do sal. As ervas aromáticas devem ser adicionadas no final da preparação dos alimentos, para não perderem as suas propriedades benéficas.
6. Tempere as saladas com sumo de limão ou vinagre, evitando a adição de sal por presença de um sabor ácido.
7. Não introduzir sal na alimentação das crianças antes dos 2 anos de idade, e ter em conta que para as crianças a recomendação para o consumo de sal é inferior a 3g/dia!

Para mais informações sobre este assunto e dicas de alimentação saudável, esclareça-se junto do seu enfermeiro e médico de família. Pode ainda consulta o site www.alimentacaosaudavel.dgs.pt

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