Numa iniciativa promovida pela Vigararia da Maia, realizou-se no passado dia 26 de Abril, à noite, na Casa do Povo de Vermoim, um importante debate sobre as alterações climáticas numa abordagem perspetivada pela encíclica “Laudato Si”, do Papa Francisco.

A sessão foi marcada por uma interessante conferência proferida pelo Prof. Dr. Nuno Martins, doutorado em economia pela Universidade de Cambridge e docente na Universidade Católica do Porto, após uma breve alocução do Vigário da Maia, Pe. António Orlando dos Santos.

O debate foi moderado por Victor Dias, perante uma audiência que embora pequena em dimensão, se revelou grande na qualidade das questões e do diálogo que conseguiu encetar com o orador.

Temas como o esgotamento do modelo económico linear e a necessidade de dar ainda maior espaço ao modelo da economia circular, assim como o conceito de bem-comum que está na génese da expressão de Casa Comum, porventura a ideia mais poderosa que o Papa utiliza para responsabilizar toda a Humanidade e os líderes mundiais, foram sem dúvida o mote essencial que animou várias e interessantes intervenções do público.

Nuno Martins sublinhou que a responsabilidade das comunidades locais e dos cidadãos tem de ser assumida, mas cuidado, porque sem que os líderes das grandes nações assumam as responsabilidades que lhes cabem, não é suficiente a mudança de hábitos e comportamentos dos cidadãos. A ação a nível local tem que ser integrada numa estratégia macropolítica global que enfrente os problemas do Planeta de uma forma concertada. Essa é a maior dificuldade, sobretudo porque há economias ainda muito dependentes dos combustíveis fósseis que parecem não estar muito preocupadas com as emissões de carbono. A questão tem de facto uma dimensão económica que tem de ser objeto de reflexão e debate, mas o peso da responsabilidade não pode ser posto de forma excessiva do lado dos cidadãos, sob pena de se desresponsabilizar os grandes poluidores mundiais.

Em declarações ao Maia Hoje, Victor dias, moderador do debate, afirmou «encaro esta iniciativa da Vigararia como um ato de um certo ecumenismo, considerando que os gravíssimos problemas que o nosso Planeta enfrenta hoje, convocam para a reflexão, para o debate e sobretudo para a meditação, todas as sensibilidades e interpretações religiosas. Mesmo os não crentes e os agnósticos, podem e devem participar neste diálogo, porque na verdade, se pensarmos bem, no limite o que está em causa e em risco é a própria Humanidade. Não nos iludamos, porque o Planeta, esse, terá sempre formas de se regenerar, com ou sem a espécie humana… temos de refletir e perceber de uma vez por todas que a solução é mudar de vida e deixar de continuar a poluir e a gastar do Planeta os seus recursos até à exaustão, como se não houvesse amanhã… e o amanhã, o amanhã que temos de deixar é para os nossos filhos, para os nossos netos e para as gerações vindouras».

 

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